A História do tênis de mesa

Embora tenha sido vinculado mundialmente nas décadas de 1950 e 60 a países orientais como China e Coréia (duas potências no esporte), o tênis de mesa teve origem no movimento esportivo inglês do século XIX. Vivia-se o auge da Revolução Industrial, e a elite desejava, por meio do esporte, preparar a juventude para um estilo de vida dinâmico e pautado na competição de mercado. No entanto, as modalidades tradicionais da época eram praticadas geralmente ao ar livre. Como nem sempre o clima era propício, surgiu a idéia de criar uma atividade recreativa para espaços internos: o tênis de mesa. Adaptado do tênis de campo e do badminton, a nova modalidade tinha no início muitos pontos em comum com os jogos que lhe deram origem, adquirindo características próprias somente décadas depois da sua criação. O sistema de pontuação, por exemplo, era igual ao do tênis de campo. No final do século XIX, os ingleses levaram o jogo para o Japão, que estava começando a se abrir para as novidades ocidentais. Foi por meio desse país que vários outros do continente asiático, como China, Coréia e Indonésia, passaram a praticá-lo. Assim, começou a notória parceria entre o tênis de mesa e o Oriente, existente até hoje.

No início, o novo esporte tornou-se um sucesso na Inglaterra e logo se viram as oportunidades comerciais em torno dele. Em 1884, a F. H. Avres lançou um catálogo de raquetes, redes e mesas. Todos esses equipamentos tinham as mais variadas dimensões e formas, uma vez que as regras não eram nada uniformes. Aliás, num levantamento de fontes históricas feito por estudiosos, encontraram-se 14 manuais do jogo! E o mais surpreendente: nenhum deles apresentava o mesmo conjunto normativo.

Depois de um tempo, o tênis de mesa começou a perder adeptos. Além do problema da confusão das regras, uma série de atividades era criada de tempos em tempos, da mesma forma que hoje se lançam todos os anos jogos de videogame, roubando o interesse dos jovens. Até que um dia notou-se que o passatempo – chamado na Inglaterra de ping-pong em virtude do som da bola ao bater na mesa ou na raquete – era algo mais do que uma simples forma de diversão, pois exigia uma carga considerável de esforço físico e agilidade dos seus praticantes. Passou-se a uniformizar, então, a partir de 1922, em Manchester, as dimensões dos equipamentos e, apenas quatro anos depois, foi fundada a Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), responsável por uniformizar as regras. Assim, o jogo transformava-se em esporte.

Sua inserção nas Olimpíadas, contudo, veio tardiamente. Em 1980, em Moscou, participou como esporte de exibição (sem valer medalhas) – o Comitê Olímpico Internacional havia reconhecido o tênis de mesa apenas três anos antes –, sendo inserido oficialmente na edição de Seul, em 1988. Os destaques na modalidade são os países orientais como China, Japão e Coréia e alguns países europeus como Alemanha, Croácia (ex-Iugoslávia), França, Rússia (ex-URSS) e Suécia.

O número de praticantes de tênis de mesa é impressionante: são mais de 15 milhões de federados distribuídos por mais de 150 países, o que assegura a alta relevância da Federação Mundial de Tênis de Mesa, uma das dez mais poderosas do mundo. Mesmo assim, são poucos os países onde é um dos esportes mais populares, pois boa parcela desses 15 milhões de praticantes vem da China, o país mais populoso do mundo, com mais de 1 bilhão de habitantes.