A história do tiro esportivo

Logicamente, a finalidade das armas de fogo, na sua origem, não era a competição esportiva, mas sim facilitar o trabalho de caçadores, já que as armas de fogo eram mais precisas do que as lanças e o arco-e-flecha. Logo, essas armas passaram a ser usadas com fins bélicos, tornando-se a base do armamento militar moderno. Mais tarde, nos EUA, no século XVII, foram realizados alguns festivais com disputas de tiro ao alvo, oferecendo-se ao ganhador prêmios em dinheiro. Essas competições, entretanto, não tinham caráter esportivo, pois não havia sequer regras específicas.

A confluência entre atividades militares e esportes sempre foi muito acentuada, principalmente nos primórdios dos Jogos Olímpicos. Modalidades como o hipismo, o tiro, a marcha atlética e a ginástica olímpica derivaram de atividades praticadas pelos exércitos de países europeus. Entretanto, uma atividade só pode ser considerada esporte a partir de sua institucionalização como prática competitiva. Assim, pode-se remeter a origem do tiro somente às últimas décadas do século XIX, quando foram criadas regras específicas para as provas.

Os primeiros a realizarem competições específicas foram os suecos, influenciados pelo movimento chamado de ginástica escandinava ou sueca. Os ingleses, na década de 1860, criaram locais próprios para competições, no início entre equipes da Inglaterra e da Irlanda. Aos poucos, outros países da Europa, como Alemanha, Espanha, França e Grécia, foram aderindo ao esporte. Mas ainda não existiam regras oficiais, tampouco uma entidade regulamentadora, que só surgiu na Itália nos meados do século XIX. Era a Associação Piemontesa de Tiro. A Federação Internacional de Tiro Esportivo só viria a ser fundada no ano de 1907. A evolução foi notável: de oito países fundadores a quase 150 países registrados às vésperas dos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000.

O tiro está no rol das modalidades olímpicas desde a primeira edição dos jogos, em Atenas, em 1896. Não é de se estranhar, pois foi a modalidade mais praticada pelo Barão Pierre de Coubertin, o principal artífice das Olimpíadas. Coubertin chegou até a ganhar algumas competições na França. A modalidade ficou de fora em apenas duas edições: St. Louis, em 1904, e Amsterdã, em 1928. Na primeira edição olímpica, o tiro tinha três categorias – tiro rápido, revólver militar e carabina – e cinco provas valendo medalhas. Hoje, há dez provas masculinas e sete femininas valendo medalhas em quatro categorias: pistola, tiro ao prato, alvo móvel e carabina.

MASCULINO

Carabina de ar
Pistola de ar
Alvo móvel – 10 metros
Carabina deitado
Carabina 3 posições
Pistola livre
Tiro rápido
Fossa olímpica
Skeet
Fossa double

FEMININO

Carabina de ar – 10 metros
Pistola de ar – 10 metros
Carabina 3×20
Pistola esportiva
Fossa Olímpica
Skeet
Fossa Double

O tiro é uma das modalidades com grande variação de países vitoriosos. No decorrer do século XX, o predomínio foi dos países europeus, com exceção dos EUA, um grande ganhador de medalhas olímpicas e em mundiais. O ponto pacífico é que quase todos os campeões eram militares, pelo menos até meados da década de 1950, quando o esporte começou a se profissionalizar em alguns países.

Foi na modalidade tiro que ocorreu um dos maiores exemplos de superação de acordo com o que rege o ideal olímpico: o campeão mundial de 1938, um húngaro chamado Takacs, perdeu a mão direita em um acidente num treino militar com granadas. Dez anos depois, participou dos Jogos Olímpicos de Londres. Havia se adaptado e atirava com a mão esquerda. Mais do que isso, acabou ganhando o ouro.

O interessante é que o armamento das provas olímpicas é praticamente igual entre todos os competidores, garantindo, dessa forma, que realmente o melhor atleta seja o vencedor.