A imigração dos haitianos para o Brasil

Crédito: iStockphoto/Gilmanshin

Crédito: iStockphoto/Gilmanshin

Por Priscila Lessa, historiadora

O Haiti é o país do continente americano com menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Sua precária economia, sustentada no setor primário, tem o açúcar como o principal produto de exportação, mas também há o cultivo de tubérculos, banana, manga, milho e legumes.

Historicamente, o desafio da população haitiana é enfrentar situações de pobreza, que se intensificaram após o terremoto que devastou o país em 2010. Desde então, a população sofre com problemas sanitários, com a fome e com a falta de abrigo. A imigração foi a solução encontrada para os haitianos reconstruírem suas vidas, e mais de 20 mil deles já migraram para o Brasil em busca de emprego e estabilidade.

Haiti: da riqueza à instabilidade socioeconômica

O Haiti foi uma das colônias francesas mais ricas do século XVII. A produção de açúcar e a sua exportação para o mercado europeu eram as principais atividades econômicas do país, que contavam com a mão de obra escrava de negros africanos. O Haiti também foi protagonista de um dos processos de independência mais singulares do Período Colonial: impulsionada pelas ideias da Revolução Francesa, a luta pela soberania nacional teve decisiva participação popular e foi pioneira na libertação dos escravos. O país foi reconhecido como independente em 1825 e inspirou colônias de toda a América em seus processos de libertação.

Politicamente, o Haiti atravessou ditaduras, e sua instabilidade econômica piorou depois da crise de 2004. O presidente reeleito Bertrand Aristide, que já havia sido deposto por um golpe popular nos anos 1990, abandonou o país. Com isso, a ONU (Organização das Nações Unidas) mantém uma missão para estabilizar a nação haitiana com forte participação brasileira.

Os haitianos no Brasil e a crise migratória

O Brasil se tornou o destino de muitos migrantes haitianos. As portas de entrada são a cidade de Brasileia, no Acre, e Tabatinga, na Amazônia. Milhões de vistos permanentes já foram concedidos. A escolha dos haitianos pelo Brasil aponta para a perspectiva maior de emprego e para as dificuldades existentes para a migração nos EUA e na Europa. No entanto, ao chegarem, vulneráveis, muitos acabam sendo aliciados para trabalho escravo.

A decisão do governo acriano em transferir os haitianos para São Paulo, especialmente depois da enchente do Rio Madeira, em abril de 2014, com a justificativa de deixá-los mais próximos dos grandes centros de emprego do País, além de colocá-los em risco, demonstrou a falta de planejamento da administração pública em lidar com o intenso fluxo imigratório.

Permitir a entrada dos haitianos é uma contribuição importante do Estado, porque evita a imigração ilegal desses estrangeiros – que como último recurso atravessam as fronteiras clandestinamente, o que diminui suas chances de estabilização e de emprego no País.

Por fim, a população haitiana se esforça para superar a dificuldade com a língua portuguesa, pois boa parte deles fala o creole (idioma derivado do francês). Como a reconstrução do Haiti depende de intervenção financeira efetiva, os migrantes tentam adaptar-se às novas condições de vida no Brasil.

Saiba mais sobre a situação dos haitianos no Brasil nos vídeos a seguir: