As relações entre Taleban e Al Qaeda

O Taleban é um grupo fundamentalista islâmico que atua no Afeganistão e no Paquistão. Surgiu na década de 1980, financiado pelos EUA, que tinham como objetivo formar grupos afegãos de resistência contra a ocupação soviética no Afeganistão durante a Guerra Fria. A CIA (Central Intelligence Agency) e o Serviço Secreto do Paquistão foram responsáveis por treinar e armar os grupos que agiriam em defesa do país. Após o término da Guerra Fria, esses grupos travaram uma guerra civil pelo controle do Afeganistão, sobressaindo-se o Taleban, que passou a controlar o governo de 1996 a 2001, reconhecido diplomaticamente apenas pela Arábia Saudita, pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Paquistão.

O regime Taleban foi marcado pelo radicalismo religioso, na tentativa de criação de um Estado teocrático baseado nos preceitos do Alcorão, livro sagrado dos mulçumanos. Muitos de seus atos e leis foram condenados pela comunidade internacional, por ferirem, sobretudo, os direitos humanos (por exemplo, pela restrição dos direitos femininos, pela proibição às artes, pela restrição à liberdade de imprensa). O controle social era tamanho que envolvia, inclusive, o impedimento da posse de câmeras fotográficas sem licença e até mesmo o ato de barbear-se.

Crianças empinando pipa em Cabul, capital do Afeganistão. O simples ato de empinar pipa, bastante comum entre as crianças afegãs, era proibido pelo regime Taleban. Foto: Lauras Eye. Atribuição-Compartilhamento pela mesma licença 2.0 Genérica.

Crianças empinando pipa em Cabul, capital do Afeganistão. O simples ato de empinar pipa, bastante comum entre as crianças afegãs, era proibido pelo regime Taleban. Foto: Lauras Eye. Atribuição-Compartilhamento pela mesma licença 2.0 Genérica.

Em 2001, o Taleban foi acusado de dar suporte ao grupo terrorista Al Qaeda ao abrigar seu principal líder, o saudita Osama bin Laden, após o ataque às Torres Gêmeas na cidade de Nova Iorque. Os EUA, que já haviam classificado o Taleban como grupo terrorista e colocado o Afeganistão entre os países do “Eixo do Mal” (denominação criada por Jorge W. Bush para definir as nações que supostamente financiam o terror), decidem invadir o país e capturar o líder. Entra em cena a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que ocupa com facilidade o Afeganistão e destitui oficialmente o regime Taleban, porém não obtêm êxito na captura de Bin Laden. As intervenções dos EUA e aliados no país levaram à instalação do governo liderado por Hamid Karzai, atualmente no poder. A presença da Otan não impediu o desmantelamento do Taleban, que conseguiu ganhar forças e formar grupos insurgentes, que passaram a atuar pontualmente contra alvos estrangeiros e opositores no Afeganistão e no Paquistão.

Forças militares estadunidenses em operação no Afeganistão. Crédito: U.S. Army. Foto: Sgt. Efren Lopez. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Forças militares estadunidenses em operação no Afeganistão. Crédito: U.S. Army. Foto: Sgt. Efren Lopez. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

A corrida contra o terror levou a inteligência dos EUA ao paradeiro de Osama bin Laden, que havia deixado o Afeganistão e passado a residir no Paquistão, mais especificamente na cidade de Abbottabad, ao norte do país, de onde comandava as ações da Al Qaeda.
O assassinato do terrorista mais procurado do mundo, em operação militar estadunidense no dia 1.o de maio de 2011, fez surgir focos de protestos entre os fundamentalistas islâmicos que o consideravam um herói contra os males ocidentais. O Paquistão, por sua vez, passou a ser questionado pela comunidade internacional pela suspeita de ser conivente e por proteger o terrorista, o que foi negado pelas autoridades paquistanesas.

Monumento em Islamabad, capital do Paquistão. Houve um estreitamento nas relações entre EUA e Paquistão após o assassinato de Osama bin Laden. Crédito: Farhan. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Monumento em Islamabad, capital do Paquistão. Houve um estreitamento nas relações entre EUA e Paquistão após o assassinato de Osama bin Laden. Crédito: Farhan. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

A preocupação em relação a retaliações como consequência da morte do terrorista colocaram em alerta o mundo, principalmente os países aliados aos EUA na Guerra Contra o Terror. Muitos grupos fundamentalistas, incluindo o Taleban e a própria Al Qaeda, prometeram vingar a morte do terrorista. Um exemplo nesse sentido foi o ataque suicida praticado contra uma academia paramilitar de forças de segurança no noroeste do Paquistão, no dia 13 de maio de 2011, que deixou ao menos 80 mortos e feriou outras dezenas. O ato foi considerado a primeira grande manifestação de vingança à morte de Bin Laden, assumido pelo Taleban paquistanês, que prometeu realizar mais ataques.

Por Dorival dos Santos