Atentados no Quênia

No mundo atual, em pleno processo de globalização cultural, ir a um shopping center no final de semana é para muitos um programa atraente. Não é diferente em Nairóbi, capital do Quênia. Em 21 de setembro, como em tantos outros sábados, um centro comercial da região, o West Gate Mall, localizado em uma área nobre, recebeu centenas de pessoas, inclusive turistas.

Por volta do meio-dia, algo por muitos inesperado aconteceu. O local de distração e descontração transformou-se em uma zona de guerra, com tiroteios, mortos, feridos e reféns. O que a princípio pensava-se ser um assalto logo foi constatado como um atentado terrorista orquestrado pela milícia Al Shabad (”A juventude”).

Acredita-se que, para a ação, o grupo tenha alugado previamente uma loja no shopping e levado para lá com antecedência munições e armamentos, entre os quais granadas e fuzis de ataque. A violência no Quênia levou três dias para ser contida. O saldo, até agora, é de 72 mortos, 175 feridos e cerca de 60 desaparecidos, o que trouxe à região uma sensação de fragilidade e insegurança.

Essa não foi a primeira ação terrorista na região. Em 7 de agosto de 1998, um atentado à embaixada dos EUA em Nairóbi vitimou 223 pessoas, e sua autoria foi assumida pela Al Qaeda. No local, foi construído posteriormente um parque memorial, com uma placa contendo os nomes dos que foram mortos durante a ação. Foto: Bernt Rostad. CC BY 2.0.

Shabad

A milícia Al Shabad é um grupo fundamentalista islâmico originário da Somália e ligado à Al Qaeda. Surgiu em 2006, visando estabelecer um estado islâmico na região e combater o governo de transição (apoiado pela ONU).

Entre as ações da milícia estão atentados e pirataria nos mares. Eles possuem bases terrestres no litoral somali e aproveitam o tráfego marítimo entre a Europa e o Oriente para atacar barcos cargueiros. Atualmente, o grupo controla o sul da Somália e tem sido reprimido pela União Africana, que encaminhou tropas de distintos países para a região.

A justificativa para a ação no shopping foi uma retaliação ao envio de forças militares quenianas para a Somália, iniciada em 2011.

A Al Shabad é autora de vários atentados, inclusive um realizado em Uganda (país que também enviou soldados à Somália) em 2010. (Clique aqui e saiba informações sobre esse ataque.)

O Quênia vive agora o luto pela perda de tantas vítimas e o temor de novos ataques. Uhuru Queniata, seu presidente, durante pronunciamentos nos últimos dias, disse:

“Não vamos ceder na guerra contra o terror. [...] Ele (o ataque) só tem aumentado o nosso compromisso de lutar e vencer essa guerra.” (Estado de S.Paulo)

“As nossas perdas são imensas, mas fomos corajosos, unidos e fortes. O Quênia enfrentou o diabo e triunfou. Derrotamos os nossos inimigos e mostramos ao mundo que podemos fazê-lo [...].” (Agência Brasil)

Por Priscila Pugsley Grahl de Miranda