Dia de Ação de Graças

Em filmes hollywoodianos e em séries de TV, é comum vermos personagens que participam de um banquete de Thanksgiving. A festa, uma das mais importantes da cultura estadunidense, é celebrada na última quinta-feira de novembro e reúne familiares e amigos com o objetivo de agradecer as coisas boas que ocorreram no ano. A celebração tem origem em uma antiga história de gratidão. Vamos conhecê-la.

Alguns dos pratos tradicionais do jantar do Dia de Ação de Graças. Foto: Maggie Not Margaret. Licenciado por CC BY 2.0

Alguns dos pratos tradicionais do jantar do Dia de Ação de Graças. Foto: Maggie Not Margaret. Licenciado por CC BY 2.0

A tradição

Perseguições religiosas do século XVII levaram inúmeros imigrantes ingleses a partirem para a colônia britânica na América, conhecida hoje como Estados Unidos, em busca de liberdade. Nem sempre a chegada era bem-sucedida, pois dificuldades de adaptação, o frio, a falta de comida e outros fatores acabavam dizimando diversos membros do grupo.

Essa história também ocorreria com os peregrinos que chegaram a bordo do barco Mayflower que desembarcou no porto de Plymouth, fundando ali uma colônia. Com o inverno rigoroso e a falta de conhecimento da terra, metade dos habitantes pereceu até que recebesse ajuda de uma tribo indígena local. Com eles aprenderam a pescar, caçar e plantar. Entre os novos alimentos que conheceram por meio dessa aliança estão o milho, a abóbora e o peru.

Uma réplica do Mayflower, no porto de Plymouth, Massaschusetts. Em 1620, o navio trouxe os imigrantes (peregrinos) que celebraram o Dia de Ação de Graças. Foto: Scott Robinson. Licenciado por CC BY 2.0.

Uma réplica do Mayflower, no porto de Plymouth, Massaschusetts. Em 1620, o navio trouxe os imigrantes (peregrinos) que celebraram o Dia de Ação de Graças. Foto: Scott Robinson. Licenciado por CC BY 2.0.

As técnicas agrícolas ensinadas pelos indígenas foram fundamentais, fazendo com que a colheita do ano de 1621 fosse abundante, preenchendo os celeiros para o inverno. Graças a esses resultados, o governante da região celebrou uma festa de aproximadamente três dias, um grande banquete, reunindo peregrinos e nativos. Os relatos históricos apontam que a comida servida foi carne de caça  (possivelmente de veado), aves selvagens (não se sabe se era o peru), milho e frutas.

Não se sabe se o peru, prato principal da festa atual de Ação de Graças, fez parte da primeira celebração. Foto: Gavin St. Ours. Licenciado por CC BY 2.0.

Não se sabe se o peru, prato principal da festa atual de Ação de Graças, fez parte da primeira celebração. Foto: Gavin St. Ours. Licenciado por CC BY 2.0.

A festa hoje

A festa tornou-se nacional nos EUA por meio de um decreto do presidente Abraham Lincoln, em 1860, e hoje é um feriado muito especial. Nessa data o banquete é tradicional e pratos como peru, milho, torta de abóbora, geleia de amora e frutas não podem faltar, lembrando, assim, parte da primeira celebração.

A data também é reservada para um jogo oficial de futebol americano – que mobiliza os aficionados em esportes – bem como para a famosa parada da loja de departamentos Macy’s, que atrai milhares de nova-iorquinos às ruas para admirar as músicas e os desfiles de personagem flutuantes gigantes. O evento marca a temporada de compras para o Natal.

O peru gigante da famosa parada em Nova Iorque. No topo, os peregrinos vestem roupas tradicionais.  Foto: Martha_chapa95. Licenciado por CC BY 2.0

O peru gigante da famosa parada em Nova Iorque. No topo, os peregrinos vestem roupas tradicionais. Foto: Martha chapa95. Licenciado por CC BY 2.0

Enquanto muitos estadunidenses celebram, parte da população não tem nada para comemorar. Nessa data, relembram os massacres promovidos pelos imigrantes ingleses contra a população indígena, as apropriações das melhores terras nativas pelos “invasores”, bem como a diminuição da população local, obrigada a se confinar em reservas desérticas, perdendo, assim, seus recursos, mudando seu modo de vida e sendo obrigada a sobreviver com o pouco que lhe restou.

Por Priscila Pugsley Grahl de Miranda