Miniconto

Crédito: ©iStockphoto/NickS

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Por Catia Toledo

O surgimento e a consagração dos gêneros literários dependem do contexto em que são produzidos. O romance teve seu auge no século XIX, quando as pessoas tinham mais tempo para a leitura. O conto, narrativa mais curta, tornou-se frequente no início do século XX, quando a velocidade passou a fazer parte da vida do homem. O século XXI, marcado pela vida apressada, é berço de outro gênero: o miniconto, também denominado microconto.

Embora o prefixo “mini-” remeta ao tamanho do texto, o miniconto não é só um conto pequeno: é um texto marcado pela concisão, no qual sugerir é mais importante que descrever. Mantendo-se os principais elementos do conto (de tempo e espaço), e a estrutura de começo, meio e fim, pode-se variar de uma frase até uma página e deve-se produzir no leitor efeito semelhante àquele proporcionado pelo conto tradicional. Como em toda obra literária, nos mini e nos microcontos a participação do leitor é fundamental, pois este preencherá as lacunas deixadas pelo autor, com sua vivência, com seu repertório de leituras.

Características do miniconto

São características do miniconto:

Concisão – somente a ideia principal deve estar presente.
Narratividade - deve ser possível ao leitor identificar uma narrativa, não uma descrição.
Efeito – o efeito do miniconto sobre o leitor deve ser semelhante ao de um conto longo.
Abertura – o conto deve prender a atenção do leitor logo no início.
Exatidão – as palavras são escolhidas minuciosamente, para que nada exceda o essencial.

Exemplos

“A velha insônia tossiu às três da manhã”. (Dalton Trevisan)

“A mulher que amei se transformou em fantasma. Eu sou o lugar das aparições”. (Juan José Arreola)

Na década de 1990, Dalton Trevisan publicou Ah, é?, considerado o marco do gênero no país. Em 2004, Os cem menores contos, livro organizado por Marcelino Freire, consagrou definitivamente o gênero.

Confira no link a seguir o vídeo de apresentação de um miniconto pela escritora Marina Colasanti.