Movimentos sociais no Brasil

Junho de 2013 certamente ficará marcado como o mês dos maiores protestos da história recente do Brasil. O que de início era uma manifestação contra o reajuste da tarifa de transporte urbano em algumas capitais do país, em pouco tempo, configurou-se em milhares de pessoas em inúmeras cidades das regiões brasileiras protestando contra os mais diversos temas. Entretanto, essa aparente falta de um tema central nos protestos poderá custar os esforços desses manifestantes.

Em São Paulo, os protestos contra o aumento das passagens do transporte público, gastos na Copa do Mundo e a corrupção tomaram as ruas da capital paulista. Marcelo Camargo/ABr

Em São Paulo, os protestos contra o aumento das passagens do transporte público, gastos na Copa do Mundo e a corrupção tomaram as ruas da capital paulista. Marcelo Camargo/ABr

Movimentos sociais tendem a ter um objetivo comum que agrega as ações coletivas em torno de um tema central. Enquanto mecanismo de confronto político, eles podem ocorrer em oposição, parceria ou para pressionar o Estado, ou de acordo com interesses e necessidades específicas de um determinado grupo.

Por exemplo, o movimento Diretas Já, que mobilizou diversos setores do país em torno da demanda da eleição direta para presidente, na década de 80, era contrário ao governo ditatorial e contou com ampla adesão das diferentes camadas da sociedade. Já as greves de operários de indústrias ocorrem como uma forma de reivindicação por melhorias nas condições de trabalho e ampliação das garantias trabalhistas de um grupo específico.

É evidente que os inúmeros protestos contra a corrupção, gastos com a copa, falta de investimentos públicos em setores como saúde e educação, que ocorreram simultaneamente servem de indicador do nível de insatisfação da população com as políticas adotadas pelo governo, mas quando não se cria uma pauta de reivindicações, e tampouco se organiza as manifestações em torno dessa pauta, a eficácia dos protestos acaba um tanto comprometida.

Os protestos do mês de junho tiveram como queixa, entre outros assuntos, o parco investimento governamental em saúde e educação. Marcelo Camargo/ABr

Os protestos do mês de junho tiveram como queixa, entre outros assuntos, o parco investimento governamental em saúde e educação. Marcelo Camargo/ABr

Estabelecida uma pauta, cada item dela deve ser objeto de manifestação até que se obtenha a sinalização e o comprometimento por parte das autoridades responsáveis de que algo será feito para a satisfação desse ponto. Após isso, estabelece-se um cronograma de ações e um prazo para que as medidas acordadas sejam levadas a cabo, e se elas não são cumpridas, deve-se novamente voltar às manifestações, cujo tema, neste momento, deve ser o não cumprimento do acordo.

De qualquer modo, nosso país parece ter compreendido que apenas poder eleger seus representantes não é garantia de que os rumos políticos terão uma conotação democrática e atenderão aos interesses públicos. É necessária a efetiva participação da população, fiscalizando as ações desenvolvidas pelos governantes, além da mobilização em protestos quando essas ações divergem das propostas iniciais dos eleitos, ou a cada caso de corrupção denunciado.

Até o próximo post.

Por Jaqueline Santos