O tênis de mesa chega ao Brasil

O jogo lúdico inglês chamado de ping-pong foi introduzido há muito tempo no Brasil. Encontram-se anúncios de produtos esportivos para sua prática em jornais brasileiros desde 1905. No início, era restrito aos ingleses que vinham trabalhar na implementação das primeiras indústrias e ferrovias e ao seu círculo de relacionamento, composto na maioria das elites locais. Como o processo de industrialização foi mais rápido em São Paulo, possivelmente foi lá também que se deu a primeira demonstração do jogo. Em 1912, realizou-se o primeiro torneio paulista por equipes e, dez anos depois, o primeiro torneio individual.

Mas, mesmo com essa precoce introdução em terras brasileiras, que se deu quase paralelamente à sua popularização na Europa e inserção nos países asiáticos, o tênis de mesa não se desenvolveu a contento no Brasil. Mesmo quando foi transformado em esporte na década de 1920, os brasileiros continuaram praticando-o como uma atividade de recreação, portanto sem treinamentos específicos e, tampouco, regras muito rígidas. Esse ostracismo esportivo durou até por volta dos anos 40.

O motivo para o tênis de mesa não se desenvolver no Brasil foi provavelmente a criação, na década de 1930, de duas entidades regulamentadoras, que se digladiavam pela hegemonia do poder no esporte e insistiam em adotar regras defasadas: a Liga e a Federação Paulista de Ping-Pong. A disputa só foi resolvida quando o esporte ficou sob a égide da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), que adotou as regras internacionais do tênis de mesa.

Atualmente, no Brasil, 23 estados estão agregados à Federação Brasileira de Tênis de Mesa, entretanto o número de federados ainda é pequeno, se comparado ao de países de ponta no esporte: são 20 mil atletas distribuídos por aproximadamente 300 clubes. Os que mais se destacam são os descendentes dos grupos étnicos orientais, mais especificamente os japoneses. Hugo Hoyama e Cláudio Kano (morto precocemente em um acidente automobilístico em 1996, apenas um mês antes da sua participação nos Jogos de Atlanta), são nomes conhecidos no Brasil e na América. Mas no cenário mundial, entretanto, a participação nacional é apenas regular. Os brasileiros nunca chegaram sequer às quartas-de-final nos Jogos Olímpicos.