Vacina contra a dengue prevista para 2015

O Instituto Butantan promete até 2015 o início da produção das 60 milhões de doses anuais previstas da primeira vacina contra a dengue. A parceria com o Laboratório de Doenças Infecciosas dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos visa proporcionar a transferência tecnológica da vacina a países onde há o endemismo de dengue como a Índia e o Brasil, com o objetivo de erradicar a doença. As fases de teste começam em São Paulo para aprovação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), os casos de dengue no primeiro semestre de 2013 chegaram a 100 milhões de pessoas em 100 países sendo os de dengue hemorrágica 500 mil casos. No Brasil, as ocorrências quase triplicaram em relação ao verão de 2012.

A dengue, muito comum no Brasil e em diversas outras regiões tropicais e subtropicais, tem como principais sinais de alerta: dores de cabeça, manchas pelo corpo, falta de apetite, náuseas, vômitos e febre alta. O vírus apresenta quatro sorotipos diferentes causadores da doença ao redor do mundo (dengues tipo I, II, III e IV). A combinação ou reincidência de dois ou mais sorotipos em um paciente, segundo Halstead (2007), pode ser o fator responsável pela evolução ao quadro da febre hemorrágica da dengue (FHD). Neste caso, o nível de plaquetas cai e a pessoa apresenta os sintomas intensificados da dengue clássica além de hemorragias, fortes dores abdominais, dificuldade respiratória, circulatória e perda de consciência. Sem o devido tratamento, a FHD pode levar ao óbito.

CC BY 2.0/ NIAID_Flickr. Pesquisador no Laboratório de Doenças Infecciosas dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos preparando placas de cultura para observar a atuação da VTD.

CC BY 2.0/ NIAID_Flickr. Pesquisador no Laboratório de Doenças Infecciosas dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos preparando placas de cultura para observar a atuação da VTD.

A vacina tetravalente contra a dengue (VTD) contém quatro cepas atenuadas de cada um dos tipos do vírus e causa resposta imune celular (através da ativação de leucócitos) e humoral (pois estimula a produção de anticorpos). Sua estrutura é baseada na vacina da febre amarela, da qual são retirados os genes que codificam as proteínas da pré-membrana (ou capsídeo viral) e do envelope e substituídos pelos respectivos genes de cada um dos quatro sorotipos da dengue (GUY et al., 2011). Os primeiros estudos reportaram que a vacina não infecta o mosquito via oral, ou seja, se o mosquito Aedes aegypt picar uma pessoa que recebeu a vacina não poderá transmitir a doença, sendo a VTD, portanto, segura e imunogênica.

Há alguns anos, a Fundação Oswaldo Cruz também apresentou avanços no desenvolvimento da primeira vacina contra dengue, mas ainda não chegou ao produto final. Já no laboratório francês Sanofi Pasteur, ela está em fase final de testes e sua comercialização está prevista para o final de 2014, porém, sua aquisição custaria caro para o Brasil.

No entanto, se a vacina produzida pelo Butantan for liberada no Brasil será eficaz e de baixo custo, fazendo parte dos programas nacionais de vacinação que já eliminaram o risco de outras epidemias viróticas como a poliomielite e a varíola. O projeto também visa atender a demanda de outros países da América Latina.

Por Susana Pires Gonzalez